Imagine: você está subindo a escada em direção ao sótão de
sua avó. Ali, se ela for como as senhoras dos filmes, irá encontrar diversas
caixas com fotografias, roupas, documentos, algumas fitas e CDs. Pergunte a ela
o que aquilo tudo está fazendo trancado ali e, talvez, a resposta seja juntando
pó. Mas não se iluda! São muito mais do que simples bugigangas: são memórias.
Vamos olhar a primeira caixa, na qual está escrito memórias
políticas. Ao abri-la, provavelmente você irá encontrar recortes de jornais e
revistas. Essas lembranças não dizem respeito apenas à sua avó: elas revelam
acontecimentos que fazem as pessoas se identificarem umas com as outras, algo
fundamental para a formação de um povo. Tais recordações são muito mais que
recortes de jornais: elas são um patrimônio a ser preservado.
Mas, vamos à próxima caixa, com a etiqueta memórias biológicas.
Ali, você encontrará documentos e exames, como o teste do pezinho de sua avó e o
raio-x de quando ela quebrou o braço. Essas memórias dizem respeito,
literalmente, ao nosso corpo. São informações que foram guardadas por nossos
ancestrais para que pudéssemos sobreviver. Ou seja, aquele ditado “ninguém
nasce sabendo” caiu por terra, pois já viemos ao mundo sabendo como nosso
coração deve bater, como devemos respirar e que precisamos comer: são nossos
instintos. Aos poucos, acrescentamos a eles novas memórias para facilitar a
convivência em sociedade, como falar e escrever.
Por fim, chegamos a uma caixa muito especial: as memórias
pessoais, onde sua avó guarda tesouros: a boneca preferida e o vestido que usou
em seu casamento. A essa altura, talvez, ela já não se lembre de tudo com
clareza e você fale sobre a invenção de uma pílula na Universidade da
Califórnia que ajuda as pessoas a recuperarem sua capacidade de memória. Mas,
não se esqueça, essas lembranças constituem quem ela é: seus gostos, sonhos e
realizações, pois, assim como para Cecília Meireles “São todas as coisas uns
momentos” , todas as pessoas são suas memórias.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
domingo, 3 de maio de 2015
Lanterna dos Finados
Com o fim do Império Romano do Ocidente, a Igreja Católica
foi a única instituição a resistir ao colapso, tornando-se um farol na vida dos
perdidos marujos da Idade Média. Entretanto, apesar de prometer uma vida após a
morte, não era exatamente boazinha: sentenciava os pecadores, sem dó e nem
piedade, a arder no mármore do inferno.
Brincando com o medo da travessia para a vida eterna, Gil
Vicente escreve, de forma brilhante e fluida, O auto da barca do inferno. Peça teatral que tem por figuras
centrais duas barcas: uma comandada pelo anjo e outra pelo demônio e que tem
por destino, respectivamente, o paraíso e o inferno. Pelo cais do purgatório
passam: um fidalgo, um onzeneiro, um parvo, um sapateiro, um frade, uma
alcoviteira, um judeu, um corregedor, um procurador, um enforcado e quatro
cavaleiros. Todos tentam sua passagem para o paraíso, entretanto os pesos acumulados
em vida nem sempre tem lugar na frágil barca da bem-aventurança.
Seguindo o mesmo estilo de Farsa de Inês Pereira, Gil Vicente busca os chamados
personagens-tipo: cada alma penada que passa pelo cais representa, não alguém
em particular, e sim um vício (algo condenável) ou uma virtude (algo louvável).
Dessa maneira, o autor buscava educar pelo riso, provocando situações irônicas
e satíricas, mas, acima de tudo, cômicas. Entretanto, se na Farsa busca um teatro cômico focando no
amor cortês, no Auto da barca busca
um teatro cômico voltado para a crítica a moral da sociedade.
Um texto atemporal. Creio que é a melhor definição para dar
a tal peça. Se Gil Vicente buscava por meio desta chamar atenção ao desacato a
moral feito pelos europeus no século XVI, pode ser chamado de adivinho, pois
encaixa-se também no período de descaso que vivemos hoje em dia.
Ou então, não era ele o profeta e sim a sociedade que,
apesar de gostar de dizer que saiu da “Idade das Trevas”, não livrou-se de suas
alegorias.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Adeus Infância
Surgem novos relatos da Segunda Guerra Mundial. Porém estes merecem um destaque especial, afinal eles eram apenas crianças.
Hoje em dia, fala-se muito em direitos da criança e do adolescente, entretanto, nem sempre o assunto foi prioridade. Houve tempos em que crianças e jovens foram soldados, usados como fonte de renda, ou manipulados pelas escolhas dos adultos, sem poder se defender.
Entre 1939 e 1945 houve um episódio extremamente vergonhoso para a humanidade: a Segunda Guerra Mundial. Hitler despontava com seus ideais de uma raça pura formada apenas por descendentes de germânicos, e reestruturação da Alemanha como uma potência Imperialista, para recuperar o prestígio perdido ao fim da Primeira Guerra.
Enquanto acontecia o conflito armado e muitos soldados tombavam em campo de batalha, em outros campos, outros guerreiros lutavam pela sobrevivência.
Tendo como pano de fundo tão terrível cenário, aconteceu ainda outro terrível episódio: o Holocausto, a famosa perseguição aos judeus. Hitler considerava-os culpados pela falha alemã durante a guerra, já que eram muito influentes na economia, logo qualquer um que pertencia a essa “raça” era inferior, e devia ser subjugado. Esse processo de subordinação teve fases: primeiramente os judeus foram proibidos de interagir com outros alemães e deviam ostentar uma braçadeira com uma estrela amarela que os denunciava. Após certo tempo foram proibidos de ter cidadania alemã e passaram a ser mandados para campos de trabalho forçado, nos quais apenas quem demostrava capacidade de trabalhar era passível de "perdão", aqueles que não conseguiam trabalhar eram mandados para câmaras de gás e mortos. Tal pesadelo só teve fim quando a Rússia invadiu a Alemanha e fechou todos os campos.
Hitler era um hábil orador e buscava influenciar, principalmente, os jovens, elaborando uma verdadeira lavagem cerebral. Os mancebos alemães deviam frequentar escolas onde aprendiam desde pequenos a seguir seu poderoso líder: Juventude Hitlerista (para meninos) e Liga das Meninas (para meninas). Os pais de deviam ser filiados do Partido Nazista, e nenhuma ordem que partisse do governo devera ser desrespeitada, incluindo abrigar um judeu ou recusar-se a mandar seu filho como colaborador da luta nazista.
Nesse contexto, surgiram registros de duas histórias particularmente interessantes: Liesel Meminger e Bruno.
Recentemente, foi encontrado um diário escrito por uma menina de quatorze anos, mas quefoi iniciada aos horrores da guerra aos dez: Liesel Meminger, mais conhecida como roubadora de livros tinha pais comunistas que, para protegê-la, entregaram-na a adoção juntamente com o irmão, que tragicamente morreu antes de chegar a seu destino. No enterro deste a menina realiza seu primeiro roubo: furta ”O manual do Coveiro”. Chegando à Rua Himmel, conhece sua nova família: Hans Huberman, um ex- soldado, pintor de paredes e acordeonista não filiado ao partido em débito com um judeu; e Rosa Huberman, uma senhora que lava roupa para fora para complementar a renda doméstica e tem um vocabulário extremamente chulo. Na Rua Himel, Liesel deveria ter uma infância normal: amigos, escola, brincadeiras e família, contudo não é isso que acontece. Em meio à tensão da guerra, seu pai abriga um judeu (ato condenável, no momento vivido por eles) como pagamento de sua antiga dívida, e a menina torna-se amiga deste, só para depois vê-lo partir.
Uma história impressionante de uma menina que viveu o lado nazista da guerra, mas com opiniões muito divergentes das impostas pelo governo. Lendo seu diário podemos compreender como a Guerra a endureceu, levando tudo o que amava: os pais biológicos, o irmão, melhor amigo, pais adotivos, livros... Ah, os livros! Apenas uma lembrança de sua vida sobreviveu: o pequeno diário no qual contou sua história. E agora esse impressionante (e intrigante) relato é publicado sob o título: “A menina que roubava livros”.
Em contrapartida Bruno, um menino de nove anos filho de comandante, não faz ideia do que está acontecendo. O menino residente de Berlim descobre que irá mudar-se para Haja-Vista (na verdade o campo de concentração de auschwitz, porém o menino não sabe como pronunciar esse nome, assim como Führer que ele diz ser o Fúria) por conta do trabalho do pai, (que ele também não sabe exatamente o que é, apenas que é importante). Ao olhar pela primeira vez pela janela, o menino vê algo estranho: pessoas vestindo pijamas listrados do outro lado de uma cerca. Depois de um tempo, sentindo-se entediado, ele sai para explorar e acaba por encontrar Shmuel, um judeu que está do outro lado da cerca. Os meninos conversam, e por meio dos diálogos, podemos perceber que nenhum deles sabia por que estavam ali: um em cada lado da cerca. Quando a mãe de Bruno resolve voltar para Berlim com ele e a irmã, Gretel, este planeja ajudar o amigo a encontrar o pai. Contudo, ao entrar no outro lado da cerca, acaba morto em uma câmara de gás.
Nesse relato, encontrado dentro de um livro sobre exploração, vemos a inocente visão de uma menino que não fazia ideia do que acontecia à sua volta, e que ninguém parava para explicar. Agora também é publicada com o título: “O menino do pijama listrado”.
Em ambos os casos, a Guerra tirou algo muito importante das crianças: a inocência. Quando se é jovem, tudo o que aseia-se é ter amigos, brincar e aprender. Durante a Guerra esse direito é cruelmente tirado. A menina perde tudo o que ela conhece e ama em um bombardeio, e o menino perde a própria vida por não saber da maldade dos homens.
Estamos acostumados a ouvir as atrocidades cometidas na Guerra, entretanto a maior parte dos relatos conta a batalha, deixando o mais terrível de fora: a invasão das paredes dos lares, levando as almas inocentes e transformando corações infantis em pedras para resistir as perdas.
Poucos registros são encontrados, graças aos bombardeios que destruíam vilarejos e cidades. As histórias de judeus são ainda mais difíceis de encontrar. As duas crianças em questão trazem a tona um convívio com a cultura judaica ,como seres humanos, não animais, mostrando quão frágeis eram as alegações de Hitler, se as pessoas parassem apenas um momento para pensar, porém o desespero de reconstruir sua nação foi maior que o sentimento de humanidade. Hans Huberman foi um dos poucos que se manteve lúcido, e seu fim foi a morte.
Mas por que esses registros recebem tanto destaque? Porque trazem uma visão diferente da guerra. A visão de alguém que não entendia, mas estava ali envolvido, sem poder opinar e sem ninguém que se importasse com sua opinião. Se os adultos tivessem parado para pensar como as crianças, que não julgam pela raça ou cor de pele, veriam como essa guerra era infundada e muitas vidas seriam poupadas. Mas, como escreveu Antonie de Saint-Exupéry: “As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar a toda hora explicando”.
Entre 1939 e 1945 houve um episódio extremamente vergonhoso para a humanidade: a Segunda Guerra Mundial. Hitler despontava com seus ideais de uma raça pura formada apenas por descendentes de germânicos, e reestruturação da Alemanha como uma potência Imperialista, para recuperar o prestígio perdido ao fim da Primeira Guerra.
Enquanto acontecia o conflito armado e muitos soldados tombavam em campo de batalha, em outros campos, outros guerreiros lutavam pela sobrevivência.
Tendo como pano de fundo tão terrível cenário, aconteceu ainda outro terrível episódio: o Holocausto, a famosa perseguição aos judeus. Hitler considerava-os culpados pela falha alemã durante a guerra, já que eram muito influentes na economia, logo qualquer um que pertencia a essa “raça” era inferior, e devia ser subjugado. Esse processo de subordinação teve fases: primeiramente os judeus foram proibidos de interagir com outros alemães e deviam ostentar uma braçadeira com uma estrela amarela que os denunciava. Após certo tempo foram proibidos de ter cidadania alemã e passaram a ser mandados para campos de trabalho forçado, nos quais apenas quem demostrava capacidade de trabalhar era passível de "perdão", aqueles que não conseguiam trabalhar eram mandados para câmaras de gás e mortos. Tal pesadelo só teve fim quando a Rússia invadiu a Alemanha e fechou todos os campos.
Hitler era um hábil orador e buscava influenciar, principalmente, os jovens, elaborando uma verdadeira lavagem cerebral. Os mancebos alemães deviam frequentar escolas onde aprendiam desde pequenos a seguir seu poderoso líder: Juventude Hitlerista (para meninos) e Liga das Meninas (para meninas). Os pais de deviam ser filiados do Partido Nazista, e nenhuma ordem que partisse do governo devera ser desrespeitada, incluindo abrigar um judeu ou recusar-se a mandar seu filho como colaborador da luta nazista.
Nesse contexto, surgiram registros de duas histórias particularmente interessantes: Liesel Meminger e Bruno.
Recentemente, foi encontrado um diário escrito por uma menina de quatorze anos, mas quefoi iniciada aos horrores da guerra aos dez: Liesel Meminger, mais conhecida como roubadora de livros tinha pais comunistas que, para protegê-la, entregaram-na a adoção juntamente com o irmão, que tragicamente morreu antes de chegar a seu destino. No enterro deste a menina realiza seu primeiro roubo: furta ”O manual do Coveiro”. Chegando à Rua Himmel, conhece sua nova família: Hans Huberman, um ex- soldado, pintor de paredes e acordeonista não filiado ao partido em débito com um judeu; e Rosa Huberman, uma senhora que lava roupa para fora para complementar a renda doméstica e tem um vocabulário extremamente chulo. Na Rua Himel, Liesel deveria ter uma infância normal: amigos, escola, brincadeiras e família, contudo não é isso que acontece. Em meio à tensão da guerra, seu pai abriga um judeu (ato condenável, no momento vivido por eles) como pagamento de sua antiga dívida, e a menina torna-se amiga deste, só para depois vê-lo partir.
Uma história impressionante de uma menina que viveu o lado nazista da guerra, mas com opiniões muito divergentes das impostas pelo governo. Lendo seu diário podemos compreender como a Guerra a endureceu, levando tudo o que amava: os pais biológicos, o irmão, melhor amigo, pais adotivos, livros... Ah, os livros! Apenas uma lembrança de sua vida sobreviveu: o pequeno diário no qual contou sua história. E agora esse impressionante (e intrigante) relato é publicado sob o título: “A menina que roubava livros”.
Em contrapartida Bruno, um menino de nove anos filho de comandante, não faz ideia do que está acontecendo. O menino residente de Berlim descobre que irá mudar-se para Haja-Vista (na verdade o campo de concentração de auschwitz, porém o menino não sabe como pronunciar esse nome, assim como Führer que ele diz ser o Fúria) por conta do trabalho do pai, (que ele também não sabe exatamente o que é, apenas que é importante). Ao olhar pela primeira vez pela janela, o menino vê algo estranho: pessoas vestindo pijamas listrados do outro lado de uma cerca. Depois de um tempo, sentindo-se entediado, ele sai para explorar e acaba por encontrar Shmuel, um judeu que está do outro lado da cerca. Os meninos conversam, e por meio dos diálogos, podemos perceber que nenhum deles sabia por que estavam ali: um em cada lado da cerca. Quando a mãe de Bruno resolve voltar para Berlim com ele e a irmã, Gretel, este planeja ajudar o amigo a encontrar o pai. Contudo, ao entrar no outro lado da cerca, acaba morto em uma câmara de gás.
Nesse relato, encontrado dentro de um livro sobre exploração, vemos a inocente visão de uma menino que não fazia ideia do que acontecia à sua volta, e que ninguém parava para explicar. Agora também é publicada com o título: “O menino do pijama listrado”.
Em ambos os casos, a Guerra tirou algo muito importante das crianças: a inocência. Quando se é jovem, tudo o que aseia-se é ter amigos, brincar e aprender. Durante a Guerra esse direito é cruelmente tirado. A menina perde tudo o que ela conhece e ama em um bombardeio, e o menino perde a própria vida por não saber da maldade dos homens.
Estamos acostumados a ouvir as atrocidades cometidas na Guerra, entretanto a maior parte dos relatos conta a batalha, deixando o mais terrível de fora: a invasão das paredes dos lares, levando as almas inocentes e transformando corações infantis em pedras para resistir as perdas.
Poucos registros são encontrados, graças aos bombardeios que destruíam vilarejos e cidades. As histórias de judeus são ainda mais difíceis de encontrar. As duas crianças em questão trazem a tona um convívio com a cultura judaica ,como seres humanos, não animais, mostrando quão frágeis eram as alegações de Hitler, se as pessoas parassem apenas um momento para pensar, porém o desespero de reconstruir sua nação foi maior que o sentimento de humanidade. Hans Huberman foi um dos poucos que se manteve lúcido, e seu fim foi a morte.
Mas por que esses registros recebem tanto destaque? Porque trazem uma visão diferente da guerra. A visão de alguém que não entendia, mas estava ali envolvido, sem poder opinar e sem ninguém que se importasse com sua opinião. Se os adultos tivessem parado para pensar como as crianças, que não julgam pela raça ou cor de pele, veriam como essa guerra era infundada e muitas vidas seriam poupadas. Mas, como escreveu Antonie de Saint-Exupéry: “As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar a toda hora explicando”.
domingo, 14 de setembro de 2014
A Nova Atlântida
O aquecimento globa passa de problema ambiental para questão de sobrevivência
O meio ambiente tem sido um tema bastante polêmico na mídia e questões como as do arquipélago de Tuvalu tornam as discussões ainda mais acaloradas. O drama das pessoas que deverão deixar suas casas por conta do aumento do nível do mar é de cortar o coração.
Segundo o alarmante relatório do IPCC, a tendência da situação é apenas piorar. Estudos apontam que mesmo parando com a emissão de gases agravadores do efeito estufa (fenômeno considerado o vilão no derretimento das geleiras que causam o aumento do nível do mar) anda sentiríamos o efeito por centenas de anos. Como, obviamente, os Estados não irão abdicar de seu crescimento econômico em prol do meio ambiente, vamos empurrando a situação com a barriga.
Já o físico Marcelo Gleiser tem um olhar bem menos crítico em relação ao papel do ser humano na desordem ambiental. Segundo ele, o aquecimento é uma associação entre questões humanas e naturais. Em sua reconfortante reportagem "Sombra Global" (publicada na Folha de São Paulo), ele alega que transformar um problema científico (como o clima) em política é um desrespeito às futuras gerações, já que não há realmente certeza do que está acontecendo.
Mas independente do culpado, ambos afirmam ser mais que urgente a tomada de alguma atitude que minimize as alterações climáticas já em curso: seja pelo cumprimento do Protocolo de Kyoto ou pela construção de guarda-sóis que orbitem a Terra, protegendo-a da radiação.
E enquanto o mundo gira e cientistas e ambientalistas buscam a resposta ideal par os problemas em mesas com café e biscoitos, a população que vive próxima ao oceano imagina quanto tempo irá demorar para que surjam guelras e possam continuar suas vidas em um reino submarino.
domingo, 7 de setembro de 2014
Em clima de romance
Por que o ser ou não ser do aquecimento global não chega ao fim
Quem ainda não tomou conhecimento das mudanças climáticas deve viver fora do planeta Terra. As transformações evidentes apenas pela mistura de estações (dias quentes de inverno e madrugadas frias de verão). ganharam importância singular na mídia. Situações como a grave seca na Califórnia, divulgada no site da Globo, tornaram-se tão corriqueiras que, se não fosse a assustadora perspectiva de ficar sem água, seriam banais. Porém, por trás das declarações certeiras sobre o aquecimento global, escondem-se intermináveis debates.
Ao liberar ajuda para a Califórnia, Barack Obama alegou que a origem do problema poderia ser o aquecimento global. Tal afirmação está de acordo com a série de dados do IPCC, do trágico artigo de Mônica Grayley ("IPCC: impactos da mudança climática serão severos e irreversíveis") , segundo o qual a escassez de água, tal qual a sentida pelos agricultores californianos. As estatísticas apontam para perdas de até 25% e o principal vilão já tem nome e sobrenome: ser humano.
Em contrapartida, o cientista Luiz Carlos Molin alega veementemente que o homem e sua emissão de CO2 nada tem a ver com o aquecimento terrestre. Segundo o estudioso, os dados utilizados são incompletos e manipulados para frear o crescimento de países emergentes.E ele vai além! Em sua entrevista à IstoÉ, surpreende ao afirmar que estamos caminhando para um resfriamento global, que fará a atmosfera perder a capacidade de reter umidade causando assim as secas. Outros especialistas também alegam que as mudanças são cíclicas e que nós, reles mortais, não temos participação direta nisso.
Pelo andar das discussões há apenas uma conclusão a se tirar: só sabemos que nada sabemos. E, já que é melhor prevenir do que remediar, cuidemos de nosso planeta, não só para garantir um futuro razoável para a humanidade, mas também para agradecer a tudo que ele nos proporciona. Independente
de quente ou fria, mudando ou não, a Terra é mais que nossa casa: é nossa mãe! E mesmo com tanta pesquisa ainda não encontraram outro planeta tão generoso quanto ela. Vai arriscar perdê-la?
domingo, 31 de agosto de 2014
Lembranças do rádio da sala
Como já era de seu costume, Ana Maria sentou-se na grande poltrona da sala após o jantar e ligou o rádio. Uma animada polca preencheu o ambiente e fez a senhora de longos cabelos brancos fechar os olhos e se aconchegar em seu assento. Fizesse chuva ou Sol, frio ou calor, na saúde ou na doença, em dias felizes ou não, nada fazia com que ela abrisse mão de escutar aquela rádio, naquele horário.Sua filha deu-lhe de presente, aos sessenta anos, um daqueles radinhos de pilha, na esperança de que, ouvindo rádio o dia inteiro, ela deixasse de lado aquele hábito. Não funcionou. Dois anos depois, seus netos lhe presentearam com um celular para que ela ouvisse rádio com fone de ouvido quando fosse à padaria, ao mercado, ao cursinho de francês, e ela assim o fez. Porém, continuou a sentar-se na mesma poltrona, no mesmo horário, sintonizando a mesma rádio, no mesmo aparelho que tinha sido de seu pai.
A música mudou: agora era um ópera que tocava, levando Ana Maria para aquele 7 de setembro de 1922. Ela sorriu ao lembrar-se da animação de seu pai ao ouvir sair pela primeira vez, como mágica, palavras daquela caixinha preta chamada rádio. Sentiu a mesma alegria juvenil ao relembrar-se de sua mãe dançando com ela na sala, enquanto o pai batia palmas no ritmo da mesma música que agora aquecia seu coração. A canção mudou, trazendo também os próximos acontecimentos daquela noite: uma batida na porta, seu irmão correndo a atender, um homem estranho adentrando a sala: "É um assalto!", ele anuncia, erguendo a arma em direção à sua mãe. O tempo, então, parece desacelerar enquanto seu pai se lançava contra o homem. Ouve-se dois tiros sobrepor o som do rádio: sangue, o grito de sua mãe, o homem correndo para fora sem levar nada, o sorriso de seu pai e as últimas palavras: "Amo vocês, escutem essa canção por mim!"
- Vovó? Por que a senhora está chorando? - uma voz infantil trouxe a senhora de volta a realidade, sorrindo e secando uma lágrima que escorria por sua bochecha.
- Não é nada Juliana! - Ana Maria desligou o rádio enquanto levantava - Apenas as lembranças que este rádio traz. Ele foi a última alegria de seu bisavô.
E dito isso deixou a sala, na parede o calendário marcava 7 de setembro. Naquela noite não ouve tiro, nem grito e nem assalto, apenas o som da velha canção entoada pela velha Ana, enquanto depositava uma rosa branca sobre o rádio: "Descans
e em paz, papai!"
domingo, 24 de agosto de 2014
Nacirema way of life
Um artigo de estudo científico – e crítico – sobre a cultura de culto
ao corpo
Apesar das diversas dificuldades que estão enfrentando com
sua economia, os Estados Unidos da América continuam exportando não só inúmeros
produtos eletrônicos, mas também o famoso “American way of life”, ou seja, o
modo americano de ver a vida. Essa superioridade estadunidense faz com que, em
muitas situações, eles considerem sua cultura como a melhor e mais desenvolvida
e, por conta disso, desprezem as demais. Um perfeito exemplo dessa situação são
os artigos científicos, nos quais culturas em estudo são tratadas como
inferiores, denunciando intolerância e preconceito. Brincando com essa ideia,
Horace Minner surge com o texto Os ritos
corporais entre os nacirema (You and the others – readings in introductory
anthropology; Cambridge, erlich, 1956), no qual a tribo Nacirema é submetida a
uma rígida análise, com foco especial no culto ao corpo.
O autor descreve de maneira muito original cada um dos
suplícios pelos quais os indivíduos passam para que possam manter seu corpo: ao
invés de simplesmente tentar explica-los, compara a situações familiares ao
leitor, fazendo com que este monte a imagem em sua mente. Essa forma de escrita
foi usada também por Erich Scheurmann em O
Papalagui, livro no qual o autor narra a história de um índio que visita a
Europa e, ao voltar à sua tribo, tenta fazer com que seus compatriotas entendam
o que viu. No entanto, o artigo de Miner traz uma pequena surpresa: no decorrer
da leitura, as situações parecem fazer sentido! Mas não só isso, elas parecem
se assemelhar ao que vivemos hoje! Mas e agora? Quem são os nacirema?
Apesar da profunda crítica contida no texto, ela é feita com
muito bom humor, tornando-o interessante e divertido. O autor ousa ao criticar
uma sociedade acostumada apenas a analisar e não a ser avaliada, fazendo com que
se pense: até onde foi o imperialismo americano? Quanto de nossa própria
cultura deixamos de lado para absorver a deles? E ainda mais... Quantas vezes
olhamos para o outro como superiores só por ele ser diferente?
Por estarmos em um mundo globalizado, não deveria mais haver
espaço para o preconceito e xenofobia, porém não é isso que acontece. Apesar de
mais velado que nos séculos passados, os preconceitos culturais se tornam
nítidos ao se levar em conta as agressões que os homossexuais sofrem apenas por
escolher uma orientação diferente, ou então como os índios são retirados de
suas terras, e ainda como, apesar do tanto que devemos a eles, os negros serem
tratados de forma inferior. Culturas não são superiores umas às outras, são
apenas diferentes! Logo, pensemos um pouco antes de falar do outro... Vai saber
se ele não está escrevendo um artigo sobre você?
As Batalhas do Castelo
Há uma pequenas divergência quanto à visão histórica
e a romântica acerca da
Idade Media. Geralmente ao pensar sobre esse período imaginamos reis, rainhas, princesas, cavaleiros,
enormes castelos fortificados, longos vestidos, bailes.... Porém ao estudar na escola vemos que não é bem assim. A Idade Media foi um período um tanto quanto
obscuro (não
é para menos que é chamada de Idade das Trevas). Tudo,
desde sociedade até a economia, estava
ligado à Igreja Católica. Essa instituição tinha tão grande poder
porque foi a única
que sobreviveu ao fim do Império
Romano e, em períodos
de crises, as pessoas costumam se agarrar a qualquer conforto e, naquele
momento, ele era oferecido pela Igreja com a promessa de um paraíso após a morte para os
fiéis. Além disso, as pessoas
eram muito pobres: viviam em comunidades chamadas feudos, nas quais havia um
senhor feudal e seus súditos
que dele dependiam, chamados vassalos. Esse senhor feudal era cercado por uma
corte de nobres e cavaleiros. E é sobre
essa corte que "As Batlhas do Castelo" trata.
Misturando as idéias românticas
e real, Domingos Pelegrino narra a história de um bobo da corte que recebe de seu rei o direito de
possuir um castelo, uma corte, e se tornar um duque. Ao falecer, os filhos do
monarca fazem valer sua vontade: dão ao homem o castelo mais distante, como súditos todos os
prisioneiros e miseráveis
e por título
"Bobuque". Contrariando toda a sorte, o bobo sai levando todas
aquelas pobres almas e lentamente, enche os corações delas de alegria, liberdade e vontade de trabalhar
formando uma próspera
comunidade nos limites do reino.
Creio que, apesar de ser um livro mais infantil, passa uma
mensagem maravilhosa: quando se está feliz
com o que está fazendo e realiza
seu trabalho com amor e carinho, talvez não seja possível
transformar o trigo em fios de ouro, porém é possível trança-los fazendo virar
belos brincos. Ou seja: não
ha resultado sem esforço!
E mais: todos merecem uma segunda chance de mostrar seu valor. Costumamos ter
muito preconceito daqueles que já fizeram
algum mal, porém
devemos ter fé que as pessoas
podem se arrepender e mudar a atitude
Concluo retomando a ideia de uma Idade Media das trevas, na qual houve uma arraso
cultura. Na verdade esse atraso nunca exigiu, pois continuaram a compor musicas
tanto para a Igreja quanto para fora (cantigas de amor e de amigo), construir
belas obras e contar historias. Porém, os científicos
pouco admiram dessa riqueza cultural, pois ela estava quase sempre ligada à Igreja. Mas não sejamos
preconceituoso... Leiam o livro e depois, aconselho, a visitarem o site da
universidade de Coimbra e escutarem algumas das belas canções em galego
português compostas nesse
período que refletiam
toda a cortesia dos relacionamentos palacianos e o início do
cavalheirismo.
domingo, 17 de agosto de 2014
Como ser Popular
Ser adolescente é muito
difícil! Temos que
conciliar os estudos, com mudanças
constantes de humor, nos acostumar com um corpo sempre em mudança, ver mudar o
sentimento acerca de algumas coisas, (principalmente pessoas), tentar encontrar
um grupo que nos acolha e no qual nos encaixemos, formar a nossa própria personalidade
e fazer muitas escolhas. É...
Não é todo mundo que tem toda essa força! E tudo só piora quando levamos em conta que
estamos em um lugar no qual as pessoas te olham atravessado, te
"zoam" por cada palavra que você fala,
te isolam.... Isso é um tiro no pé de qualquer adolescente. Mas, se você está passando
por isso, talvez se identifique com a história de Stephanie.
Quando tinha 12 anos, Steph derrubou Fanta Uva na saia de
Lauren Morfatt. Até ai parece apenas
algo banal, porém
a tal Lauren era simplesmente a menina mais popular da escola, e fez o maior
escândalo! A partir de
então ela se dedicou a
transformar a vida de Steph em um inferno, começando pela frase: "Não dê uma de Steph!"
toda vez que alguém
fazia algo estúpido.
E pior... A menina se apaixona pelo namorado da rival: Mark Finley, o zagueiro
do time de futebol da escola; porém ele nem sabe quem ela é. Apesar de ter amigos, Steph se sente uma inútil, pois é invisível a todos. Quer dizer... Seria, se não fosse a tal
frase.
Mas, um dia, ela vê a
possibilidade de mudar tudo! Em uma visita à casa
da avó de seu amigo, encontra um livro com
dicas de como se tornar popular: coisas simples, dicas curtas (que inclusive,
aparecem no livro de Cabot), mas com o poder de transformar uma vida. E assim,
Steph Laundry mergulha de cabeça
em um mundo totalmente novo: o das garotas populares de quem todos gostam. Mas
será que era isso mesmo que ela queria?
Mostrando o drama de qualquer adolescente, Meg Cabot abusa
dos clichês
para mostrar que devemos ser quem somos, não mudando para agradar aos outros... Com uma linguagem um
tanto infantil, mas leve e engraçada, esse livro é perfeito
para se ler naquela tarde de domingo que não se tem nada para fazer ou depois daquela prova que fritou
todos os seus neorônios.
Apesar de não
exigir um alto grau de abstração
para ler, esse livro pode te fazer pensar um pouco mais na conduta que você tem tido com as pessoas. Porque,
sinceramente, apesar desse papo de "as pessoas tem que gostar de mim pelo que sou e não
vou mudar por conta de ninguém"
não existe. Ninguém quer ser amigo de
uma pessoa que só reclama, ou que só sabe falar de si. Amizade deve ser uma
via de mão dupla: se a
pessoa é agradável com você,
deve-se fazer o mesmo com ela, pois ninguém merece investir corpo e alma em algo que não vai trazer nenhum
benefício. Não é transformar sua essência em algo novo: é lapidar um diamante ainda bruto.
Recomendo esse livro para todas aquelas meninas que se
sentem isoladas, sozinhas, e não
pertencente ao lugar onde estão:
prestem atenção!
Vocês são lindas! Só precisam mostrar essa beleza para o
mundo, sem se esquecer dos que já te
ama, claro.
Uma história de Natal
Quando era criança a maior felicidade quando dezembro se aproximava era
andar pelas lojas de brinquedo escolhendo o que iria pedir para o papai Noel.
Sempre adorei a sensação
de sentar com uma caneta na mão
e escrever um bela cartinha contando como tinha sido uma boa menina e merecia
ganhar aquela linda boneca que falava e cantava. E o presente sempre vinha. Não sabia como, mas
na noite de Natal ele estava lá,
esperando por mim. Pode ser que você me
chame de egoísta....
Mas e dai? Eu era apenas criança,
não sabia das desgraças do mundo.
Não
me recordo ao certo quando, mas de repente minhas cartas se tornaram algo um
pouco diferente. De um ano para o outro passei de "quero aquela Polly
nova" para "quero aquela Polly nova e que todo mundo seja muito
feliz" ou então
"quero aquela Polly nova e que todos ganhem presente nesse Natal". Na
época, aquilo não pareceu fazer
diferença, mas hoje vejo quão grande foi meu
gesto ao deixar de lado uma parte individualista para pensar também no coletivo.
Scrooge também era individualista e egoísta: um homem velho que só se
importava com contas e dinheiro, achando que caridade era fazer uma doação maior para aquela
instituição de caridade. Ele
não se importava com
seus funcionários,
vivia uma vida pacata seguindo uma rotina sem graça, e ao menos aproveitava o dinheiro que conseguia. Porém, uma noite, o
fantasma de seu sócio
resolve fazer uma visitinha para ele. A alma penada aparece arrastando os
cadeados que a prendem à Terra: luxúria, egoísmo, gula, dor...
Todo o mal que ele fez em vida materializado em correntes que o prendem a essa
dimensão. E faz um
aviso a Scrooge: aquela era sua ultima chance de se livrar daquele mesmo
destino! Ele receberia a visita de três espíritos:
passado, presente e futuro; e deveria se arrepender de seus erros e buscar
mudar de vida para que pudesse realmente ser feliz.
A história então passa a girar em
volta dos Natais da vida de nosso velho rabugento, que confronta tanto a
felicidade da infância,
quanto as surpresas do presente e também o medo do futuro.
A história
bolada por Dickens traz uma lição
valiosíssima: quanto
estamos valorizando de nossa vida? Será que
realmente usufruímos
de tudo o que ela pode dar, ou nos prendemos a coisas tolas e sem importância? Quanto tempo
será que nos resta? Muito? Pouco? Isso
realmente importa?
Apesar de ser denominado "Uma história de Natal"
a lição desse conto deve
durar o ano inteiro, pois de nada adiantam os votos ajoelhados defronte o
pinheiro de Natal e as promessas de "esse ano serei melhor" se nos
outros 364 dias do ano você age como se nada
realmente importasse. Veja bem, não é viver apenas para
ter futuro! É viver cada dia como
deve ser: olhando os detalhes com a inocência de uma criança que pede de presente de Natal a tão sonhada paz
mundial.
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